Conheça Fukuoka

Fukuoka – A Locomotiva de Kyushu

Uma das mais dinâmicas províncias do Japão, Fukuoka é o motor econômico da ilha de Kyushu. Parte importante do desenvolvimento do Japão desde a Antiguidade, a província também é um dos polos históricos e culturais do país. Vamos  te levar para conhecer as principais atrações turísticas da província. Vem com a gente! Maior cidade da província, Fukuoka é, também, a maior área urbana da ilha de Kyushu e uma das mais importantes do Japão. Pela proximidade com o continente — Fukuoka é mais perto de Seul do que de Tóquio —, a cidade se desenvolveu em torno de intensas trocas culturais e comerciais. Isso se traduz hoje numa metrópole dinâmica e repleta de atrações, que costuma surpreender e encantar os visitantes.


Bem no centro ficam as ruínas do Castelo de Fukuoka, num parque que foi nomeado a partir do apelido dado à antiga construção: Maizuru. Destruído no início do Período Meiji, de acordo com a política do Imperador de apagar todos os vestígios do xogunato, o castelo era a maior construção do tipo em Kyushu. Sobreviveram, no entanto, alguns portais, à base de pedra do castelo e uma parte do fosso que existia no entorno. Ainda assim, o parque é uma das principais atrações da cidade na época da floração das cerejeiras, no final de março ou início de abril. Aqui, os locais costumam fazer o hanami, a observação das flores, quase sempre acompanhada de um piquenique.

Vizinho ao Maizuru fica o Parque Ohori, que cerca um lago que fazia parte do fosso do castelo. (Aliás, ohori quer dizer ‘grande fosso’.) Com cerca de 2 quilômetros de circunferência, o parque é conhecido pela sua construção em estilo chinês, com três pequenas ilhas no meio fosso conectadas por belas pontes. É o tipo de lugar que os japoneses chamam de instabae, ou seja, instagramável.


Na área próxima ao lago, fica um dos principais espaços culturais da cidade, o Museu de Arte de Fukuoka, que tem uma variada coleção que vai de estátuas budistas do século 11 até obras de pintores europeus, como Joan Miró e Salvador Dalí. Outro espaço a ser visitado é o Jardim Japonês, com suas casas de chá e outras representações. Não muito distante do jardim, fica o Santuário Gokoku, com seu enorme portal de pedra.

Comida de rua
A atração mais conhecida de Fukuoka é, sem dúvidas, os yatai — barraquinhas de lona com poucos lugares. Aqui é possível conhecer o melhor da gastronomia popular da cidade. Existem yatai espalhados por diversos pontos do centro de Fukuoka, mas o mais conhecido fica em Nakasu, uma ilha no Rio Naka, perto do desembocadouro e no porto da cidade. Ali se pode comer yakitori (espetinho grelhado de frango), oden (caldeira de legumes e outros elementos) e o famoso hakata lámen, uma especialidade local.


Feito com um macarrão fino, esse estilo de lámen leva caldo de porco tonkotsu, além dos elementos de cobertura como o ovo cozido marinado e o lombo de porco char-siu. Quem ama lámen também não fica de barriga vazia. No universo do hakata lámen existe a cultura do kaedama, ou seja, pedir uma porção extra de macarrão para completar a sopa. Uma maravilha!

Competição tradicional
Se houvesse uma Olimpíada no período feudal, o esporte japonês por excelência seria representado por times de Fukuoka. A cidade organiza anualmente o Hakata Gion Yamakasa, um festival tradicional que tem como base uma competição de andores que tem mais de 700 anos de história. Sete grupos do distrito de Hakata percorrem as ruas da cidade com um andor, que pesa cerca de uma tonelada.


Chamadas em japonês de yamakasa, essas alegorias são divididas em dois tipos. Os kazariyama têm cerca de 13 metros de altura e eram usados nas competições no passado, antes da difusão dos cabos de luz elétrica pela cidade. Então, eles ficam parados em algumas partes da região de Hakata, no entorno do Santuário Kushida, que organiza o evento.
Já os kakiyama são os andores usados na competição em si. Eles não têm rodas e trazem sempre uma alegoria principal, além de seis pessoas que vão sentadas, como se estivessem numa grande carruagem. Por volta de uma dúzia de outros participantes carregam o andor nos ombros, o mais rápido que conseguem. Um grupo de “reservas” corre ao lado dos colegas, os substituindo ao longo da jornada de 4km, cheia de curvas.
O festival rola em julho e, já no primeiro dia do mês, os kazariyama são instalados para o público. A competição nas ruas da cidade rola no dia 15, mas nos dias 12 e 13, os participantes fazem dois treinos, respectivamente, no percurso completo e outro do bairro de Tenjin até a prefeitura, onde o alcalde recebe os competidores. Na data da competição, o primeiro grupo larga pontualmente às 4:59 da manhã e cada percurso leva cerca de 30 minutos para ser realizado.

CIDADE HISTÓRICA
Pouca coisa em Dazaifu diz que esta pacata histórica foi o centro político da ilha de Kyushu por cerca de 5 séculos. Na época em que Hakata, hoje parte de Fukuoka, era o principal porto da região, era em Dazaifu que se tomavam as decisões diplomáticas da corte com relação aos vizinhos do continente e as defesas do país. Dazaifu é repleta de belos templos e construções antigas, além de um excelente e ultramoderno museu histórico.

Sem dúvidas, o mais conhecido espaço religioso da cidade é o Santuário Tenmangu, dedicado a Tenjin, a divindade do saber e da escolaridade, que antes de ser “canonizado” era um influente pesquisador, professor e poeta. Sugawara no Michizane serviu à corte em Kyoto por muitos anos, em diversos cargos de alto prestígio, ao longo do século 9. No entanto, a ascensão ao trono de um novo imperador fez com que Sugawara caísse em desgraça e o homem acabou sendo exilado em Dazaifu, onde morreu.

Sua vida — e sua morte — originaram diversas lendas. Uma delas é chamada de Tobiume a história de uma ameixeira voadora. Sugawara tinha devoção por uma ameixeira que existia perto do lugar em que ele morava em Kyoto. Ao se despedir da cidade, rumo ao exílio, o homem chegou a compor um belo poema para a árvore.

Quando soprarem os ventos do oeste
espalha o teu perfume, ó flor de ameixeira
Mesmo que teu mestre se tenha ido,
nunca te esqueças da primavera

Tempos depois, conta a lenda, uma ameixeira semelhante a que ele deixou em sua cidade natal nasceu e cresceu bem próximo do local onde Sugawara vivia em Dazaifu. Passou-se a acreditar, então, que a ameixeira de Kyoto tenha voado até encontrar seu mestre, a mais de 500 quilômetros de distância.
Quando Sugawara morreu, a então capital japonesa entrou em colapso por causa de uma peste e de outros problemas. A população, então, passou a acreditar que o homem fora exilado mesmo sendo inocente. Assim, a corte decidiu construir um santuário para apaziguar a sua alma, o Kitano Tenmangu de Kyoto, onde um festival para as ameixeiras é realizado anualmente. Décadas depois, Sugawara foi “canonizado” e passou a ser considerado uma divindade. Em Dazaifu, no local de sua tumba, foi construído um santuário que ganhou o nome de Dazaifu Tenmangu. Em meados de fevereiro, as 6 mil ameixeiras do espaço ficam floridas, um espetáculo em homenagem a um homem que, em vida, valorizou os saberes e soube apreciar as coisas belas da vida.

Casa do saber
Não muito distante do Dazaifu Tenmangu, fica o Museu Nacional de Kyushu, um excelente espaço para quem quer aprender mais sobre a história do Japão. Apesar de sua aparência ostentatória, toda envidraçada é envolvida em linhas de concreto azuis; o museu tem uma enorme coleção e a exposição aproveita de vários recursos, inclusive audiovisuais, para informação ao público. No espaço Ajippa, por exemplo, games e objetos que podem ser tocados contam a história de culturas da Ásia de forma atraente para os pequenos. As informações também são dispostas em inglês, o que pode ajudar quem não lê em japonês.

AO NORTE E AVANTE
Como o nome da própria cidade já entrega, Kita-kyushu é a cidade mais setentrional da província de Fukuoka e da ilha de Kyushu. Kita, em japonês, significa “norte”. Formada, em 1963, pela fusão de quatro municípios, Kita-kyushu é a locomotiva industrial da província. Sua localização privilegiada, numa das pontas do estreito que separa as ilhas de Kyushu e Honshu, fez com que a região se desenvolvesse ao longo dos séculos, também como porto marítimo. A importância industrial da localidade era tamanha que Kokura, uma das antigas cidades que formam a atual Kita-kyushu, era o alvo inicial da bomba atômica que os americanos acabaram lançando sobre Nagasaki por causa do mau tempo na região.O Porto de Moji é um dos lugares mais charmosos da cidade. Chamado em japonês de Moji-ko, ele floresceu no século 19, durante a industrialização ocorrida no Período Meiji (1869 – 1912). Isso se reflete nas construções em estilo ocidental da área. Vários deles são abertos ao público, transformados em cafés, restaurantes e livrarias. A Antiga Alfândega do porto, por exemplo, virou uma galeria de arte, com exposições gratuitas. Bem ao lado fica o Observatório Mojiko Retro, construído num prédio modernoso, mas que oferece uma vista sensacional do porto e do estreito de Kanmon.

Castelo reconstruído
Em 1866, já no embalo do fim do xogunato, o Castelo de Kokura foi incendiado e completamente destruído. Dificilmente ele teria outra sorte se o fogo não tivesse lhe dado um fim. Não muito longe dali, o já comentado Castelo de Fukuoka foi ao chão, como muitas outras construções relacionadas ao xogunato, a mando do imperador Meiji.
No entanto, a população de Kokura não se resignou. Em 1959, o castelo foi reconstruído, desta vez em ferro e concreto para não correr riscos. No seu entorno, foi construído quatro décadas depois, um belo jardim japonês que pode ser admirado de uma enorme varanda de tatami. A revitalização do espaço do antigo castelo se completa com as cerejeiras que também ficam em flor no final de março e no início de abril, tornando o Parque Katsuyama, fundado na área do antigo castelo, um dos mais disputados pontos de observação das flores em Kitakyushu..


Parque MaizuruEndereço: Fukuoka-ken Fukuoka-shi Chuo-ku Jonai 1.https://goo.gl/maps/rqyrgbLMF2C1TiGj6

Parque OhoriEndereço: Fukuoka-ken Fukuoka-shi Chuo-ku Ohori Koen 1.
https://goo.gl/maps/oem1wzB31aAsJQEu5

Museu de Arte de Fukuoka
Endereço: Fukuoka-ken Fukuoka-shi Chuo-ku Ohori Koen 1-6.
Horário: das 9 às 17:30 (entrada até as 17:00).www.fukuoka-art-museum.jp
https://goo.gl/maps/weZ238QDfsiCeZ4E6

Yatai de NakashuEndereço: Fukuoka-ken Fukuoka-shi Hakata-ku Nakasu 8.
Santuário Dazaifu TenmanguEndereço: Fukuoka-ken Dazaifu-shi Saifu 4-7-1.
www.dazaifutenmangu.or.jpEntrada franca (com exceção dos museus).
https://goo.gl/maps/9wz57mxVL3e4hTM9A

Museu Nacional de KyushuEndereço: Fukuoka-ken Dazaifu-shi Ishizaka 4-7-2.Valor: ¥700 adultos, ¥350 estudantes universitários, gratuito para estudantes de níveis inferiores.Horário: das 9 às 17:00 (entrada até as 16:30; fechado às segundas-feiras que não forem feriado nacional, neste caso, o museu fecha na terça).www.kyuhaku.jphttps://goo.gl/maps/cFwdKhMDEL1KYw93A

Porto de MojiEndereço: Fukuoka-ken Kitakyushu-shi Moji-ku Mojiko.
Observatório Moji RetroEndereço: Fukuoka-ken Kitakyushu-shi Moji-ku Higashi-Minatomachi 1-32.Valor: ¥300.Horário: das 10 às 22 horas (entrada até as 21:30).
https://goo.gl/maps/kRXwDErFcRrXpL6SA

Castelo de KokuraEndereço: Fukuoka-ken Kitakyushu-shi Kokura-ku Jonai 2-1.
Valor: ¥350 (um tíquete combinado de ¥700 permite o acesso ao castelo, ao jardim e ao vizinho Museu Memorial de Matsumoto Seicho).Horário: das 9 às 17 horas (estendido até as 18 horas em certas épocas do ano).
https://goo.gl/maps/RLzBAtmbCm8meRSY9

Jardim do Castelo de Kokura
Endereço: Fukuoka-ken Kitakyushu-shi Kokura-ku Jonai 1-2.
Valor: ¥350 (um tíquete combinado de ¥700 permite o acesso ao castelo, ao jardim e ao vizinho Museu Memorial de Matsumoto Seicho).Horário: das 9 às 17 horas (estendido até as 18 horas em certas épocas do ano).
https://goo.gl/maps/4u747BZws4iXAUhNA

 

Conteúdo cedido por jpguide.co

Conheça Shiga

À beira do lago
Nenhum lugar é mais representativo para começar um passeio por Shiga que o Lago Biwa. Com 670,4 km², ele ocupa cerca de ⅙ da área da província. Ou seja, é onipresente. Considerado um dos lagos mais antigos do mundo, o Biwa tem pelo menos uns 4 milhões de anos. Tempo suficiente para que se desenvolvesse uma enorme biodiversidade. Estudiosos contam pelo menos 1000 espécies de seres vivos vivendo no lago, 60 das quais são endêmicas, ou seja, só existem ali.

Lago Biwa
Lago Biwa

Seja como fonte de alimentos, seja como meio de circulação, o Biwa vem atraindo humanos por milênios. No lago foi encontrado um sítio arqueológico submerso com mais de 9 mil anos de idade. Neste sítio, os pesquisadores tiveram acesso ao modo de vida do povo Jomon que habitou o Japão entre os anos 14000 e 300 a.C.
Com tanta história, o lago oferece inúmeras oportunidades de passeio para quem deseja compreender e vivenciar a espiritualidade japonesa, conhecer o estilo de vida que se construiu ao seu redor ou simplesmente observar a natureza. Um dos passeios mais atraentes é em Chikubu, uma pequena ilha de cerca de 2 km de circunferência localizada na porção norte do lago.
Desde tempos antigos, a ilha vem sendo retratada como um lugar envolto numa atmosfera misteriosa. É assim que ela aparece, por exemplo, no Heike Monogatari — uma coletânea de contos compilada no século 14 sobre as disputas entre os clãs Taira e Minamoto pelo controle do país. Ao longo da história, Chikubu vem sendo reverenciada por sua divindade que, segundo a crença, protege os fiéis nas travessias pelas águas. Além disso, a ilha também é reconhecida pela qualidade das águas de seus poços.
Inabitada, Chikubu tem dois espaços sagrados: a Santuário Tsukubusuma, fundado no ano de 420; e o Hogonji, templo budista surgido 304 anos mais tarde. Neste último, fica um portal no estilo karamon que é considerado o único “item arquitetônico” sobrevivente do Castelo de Osaka da época Tokugawa. O acesso à ilha se dá por uma barca que parte de um porto em Nagahama.

O sol enquadrado
Um dos lugares mais instagramáveis de Shiga é o Santuário Shirahige, com o seu portal torii dentro do lago que lembra Miyajima, a ilha sagrada mais conhecida do Japão. “Shirahige” quer dizer “barba branca” e se refere à longevidade, uma das graças que o fiel pode pedir à Sarutahiko Okami, a divindade a quem o santuário é dedicado.

O destaque fica para o amanhacer momento no qual o registro do sol nascendo
O destaque fica para o amanhacer momento no qual o registro do sol nascendo

Longevo, no entanto, é o espaço. São cerca de 1900 anos de história, fazendo deste o espaço sagrado mais antigo da província. O portal, mesmo não sendo impressionantemente grande como seu semelhante em Hiroshima, forma uma lindíssima composição com as águas do lago. O destaque fica para o amanhacer momento no qual o registro do sol nascendo enquadrado no torii não somente vai render chuvas de likes no Instagram como, também, fazer a emoção transbordar.
Não deixe de visitar, também, as 40 Estátuas de Buda de Ukawa que fica a cerca de 500 metros de distância do santuário. Feitas de granito e com cerca de 1,5 m de altura, as estátuas foram construídas na segunda metade da Era Muromachi (1336-1576) como memorial post mortem para a mãe de um senhor feudal da região.

Templo Flutuante
Outra vista do lago que deixa boa impressão nos visitantes é a do Ukimido, uma espécie de capela conhecida como Templo Flutuante. Sua história data do Período Heian (794-1184) quando, do alto do Monte Hiei, um monge conhecido como Genshin viu uma luz emergindo de dentro do Lago Biwa. Ele desceu até o local e, usando uma rede, “pescou” uma imagem dourada de Amitabha, o buda da direção oeste, que purifica a humanidade dos desejos.
Para celebrar a descoberta e guardar a imagem, o monge criou o salão Ukimido, suspenso como uma palafita nas águas do lago. Assim, o local se tornou amado pelos japoneses locais e de outras regiões chegando, inclusive, a aparecer num poema do grande mestre do haiku Matsuo Basho, onde ele descreve uma noite no local. Aliás, o astro que o poeta cita também dá o nome oficial do templo: Mangetsu-ji ou Templo da Lua Cheia.

”Abra a fechadura
Deixe que a lua brilhe
Ukimido”
Matsuo Basho

Templo Flutuante.
Templo Flutuante.

Ilha de Chikubu (Chikubushima/竹生島)
acesso pelo Porto de Nagahama
Shiga-ken Nagahama-shi Minatocho 4
preço da barca (ida e volta): ¥3070 (adultos), ¥2450 (estudantes), ¥1540 (crianças)
entrada na ilha: ¥400 (adultos), ¥300 (crianças)
https://goo.gl/maps/zE4ECK2GTgKtrvTH7
Santuário Shirahige (Shirahige Jinja/白髭神社)
Shiga-ken Takashima-shi Ukawa 215
entrada franca
https://goo.gl/maps/LWkUeEfEXZ1jjcL18

40 Estátuas de Pedra Buda de Ukawa (鵜川四十八体石仏群)
Shiga-ken Takashima-shi Ukawa 1093
entrada franca
https://goo.gl/maps/F9K4YB1qcoYr2QFK6

Templo Mangetsu-ji/Ukimido (満月寺・浮御堂)
Shiga-ken Otsu-shi Hon-katata 1-16
horário de funcionamento: 8 às 17 horas
entrada: ¥300
https://goo.gl/maps/sgfLZR8dDHgAFaWx9

Samurais, ninjas e outras histórias
Com a proximidade da então capital Kyoto e tanta água à disposição, é possível imaginar que Shiga era uma região poderosa, acompanhada bem de perto por quem estava no poder e por aqueles que gostariam de estar. Castelos, vilas de ninjas e religião são algumas das opções para quem curte história.

Castelos, vilas de ninjas e religião são algumas das opções para quem curte história.

Reciclagem medieval
Considerado a construção de maior valor histórico da província de Shiga, o Castelo de Hikone é uma relíquia em todos os sentidos. Trata-se de um dos 12 únicos castelos medievais que sobreviveram ao bota-abaixo decretado pelo Imperador Meiji com o fim do xogunato. Tudo aconteceu quando Vossa Majestade, num passeio pela região, se encantou com a construção. A destruição de castelos visava evitar que as forças leais ao xogum se reorganizassem e reivindicassem o poder político do país. O Castelo de Osaka, por exemplo, foi usado como ponto de resistência. Porém, é possível que Hikone não tenha amedrontado o imperador e, de fato, a construção é muito mais elegante do que imponente.
Construído na área anteriormente ocupada por um templo, a torre principal do castelo é formada por elementos vindos de duas outras fortificações existentes em Otsu (a capital da província) e Nagahama. Com alguns percalços no caminho, a construção iniciada em 1575 só foi terminada em 1622 com a ajuda de pedras trazidas de um outro castelo, o de Sawayama.
Com uma arquitetura singular, o pequeno castelo de Hikone recebeu do governo japonês o título de Tesouro Nacional, atribuído somente a quatro outras construções da mesma categoria: os castelo de Inuyama (Aichi), Himeji (Hyogo), Matsue (Shimane) e Matsumoto (Nagano). Espantoso que a construção, tamanha a sua importância histórica e arquitetônica, receba tão poucos visitantes estrangeiros.
Além do castelo, é possível conhecer a história da edificação e região no Período Edo através do Museu do Castelo de Hikone. Para abrigar a coleção, foi reconstruído um dos antigos palácios que ficavam no entorno da fortificação. Estão em exibição artefatos usados pelos samurais do Período Edo, uma coleção de máscaras e figurinos do teatro nô, utensílios usados nas cerimônias do chá praticadas pelos guerreiros e muito mais. Vale a visita.

Mestres do disfarce
Enquanto os samurais eram como soldados que empunhavam suas armas e mostravam sua cara e atividade em público, os ninjas eram mais como agentes secretos. Sua atividade principal era a espionagem mas eles também poderiam executar planos de ação como assassinatos, sabotagens e infiltrações. Tudo no sigilo. Koka, já na divisa com a província de Mie, era uma vila que produzia guerreiros especializados neste tipo de atividade. Juntamente com a vizinha Iga, a localidade servia como uma espécie de esconderijo para os que eram derrotados em batalha ou caíam em desgraça com os poderosos.
Durante os séculos 15 e 16, os ninjas de Koka e Iga viveram o seu auge. A reputação desses profissionais fez com que eles fossem procurados por senhores feudais de várias partes do país para executar missões sigilosas. No Koka no Sato Ninjutsumura é possível conhecer um pouco das técnicas de treinamento dos ninjas da região. No local, estão reunidas algumas antigas construções e, num passeio, é possível aprender com os guerreiros escapavam por saídas inusitadas e caminhos alternativos. Também é possível experimentar alguns dos treinamentos, inclusive o uso do shuriken, a hoje famosa estrela da morte, que os ninjas usavam para atingir seus alvos à distância.

Na casa, fica também uma exposição relacionada à arte do ninjutsu, c

Já o Ninja Yashiki é uma antiga residência ninja de cerca de 300 anos de idade. Por fora, trata-se de uma casa como outra qualquer de sua época. Por dentro, porém, é que se vê a engenhosidade desses guerreiros na hora de escapar, se esconder e capturar intrusos. Na casa, fica também uma exposição relacionada à arte do ninjutsu, com técnicas de combate e fuga e, claro, um alvo para treino com o shuriken. Tudo para deixar os amantes de artes marciais mais do que satisfeitos.

Fugindo do tema “ninja” mas ainda falando de engenhosidade, o Miho Museum é um lugar que vai fascinar os amantes de arquitetura. Construído,  numa área de floresta, o museu é totalmente integrado aos arredores, com espaços abertos e amplas janelas de vidro, trazendo o exterior para dentro da construção. A obra do arquiteto sino-americano I.M. Pei abriga peças de antigas civilizações como a egípicia, a romana e outras da Ásia. Boa parte do material fazia parte da coleção privada da fundadora do museu, Koyama Mihoko (1910-2003), uma das mulheres mais ricas do Japão, com uma vida dedicada à arte.

Castelo de Hikone (Hikonejo/彦根城) e Museu do Castelo (Hikonejo Hakubutsukan/彦根博物館)
Shiga-ken Hikone-shi Konkicho 1-1
horário de funcionamento: 8:30 às 17:00 (entrada até 30 minutos antes do encerramento)
entrada do castelo: ¥800  (adultos), ¥300 (estudantes até o final do Ensino Fundamental)
entrada para visitar somente o jardim: ¥200  (adultos), ¥100 (estudantes até o final do Ensino Fundamental)
entrada do museu: ¥500  (adultos), ¥250 (estudantes até o final do Ensino Fundamental)
visita completa: ¥1200  (adultos), ¥350 (estudantes até o final do Ensino Fundamental)
https://goo.gl/maps/fgzwS2G77fBQ3ULS8

Koka no Sato Ninjutsumura
Shiga-ken Koka-shi Kokacho Oki 394
horário de funcionamento: variável ao longo do ano, consulte o site do local
site: koka.ninpou.jp
entrada: ¥1100  (adultos), ¥900 (adolescentes dos 12 aos 17 anos), ¥800  (crianças de 6 aos 11 anos), ¥600 (crianças de 3 a 5 anos)
https://goo.gl/maps/z6NXHvoNgjqeAfv56

Ninja Yashiki
Shiga-ken Koka-shi Konancho Ryuhoshi 2331
horário de funcionamento: 9:00 às 17:00 (entrada até 30 minutos antes do encerramento)
entrada do castelo: ¥650  (adultos e estudantes de ensino médio), ¥350 (estudantes até o final do Ensino Fundamental)
https://goo.gl/maps/H3vNXQu9UKCJPpQPA

Miho Museum
Shiga-ken Koka-shi Tashiro Shigaraki Momodani 300
horário de funcionamento: 10:00 às 17:00 (entrada até 60 minutos antes do encerramento)
entrada do castelo: ¥1300  (adultos), ¥1000 (estudantes universitários), gratuito para estudantes de outros níveis de ensino
atenção: O museu está fechado até o dia 13 de março de 2020.
https://goo.gl/maps/EkuiA1MJoATS44Wm8

 

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